Angola reforçou nos últimos anos a sua posição como um dos principais actores do sector diamantífero em África, num contexto em que o continente continua a desempenhar um papel central na produção mundial de diamantes, mas com forte assimetria entre os países produtores.
Segundo dados do sector diamantífero angolano, o país produziu cerca de 15,2 milhões de quilates em 2025, mantendo-se entre os três maiores produtores mundiais de diamantes em bruto, atrás de Botswana e Rússia.
As exportações e comercialização também acompanharam esta trajectória, com cerca de 17,7 milhões de quilates vendidos em 2025, gerando aproximadamente 1,8 mil milhões de dólares em receitas, impulsionados sobretudo pelo desempenho das minas de Catoca e Luele.
No contexto africano, esta evolução reforça a posição de Angola como um dos principais centros de produção em volume, enquanto Botswana mantém a liderança global em valor e qualidade, sustentada por uma cadeia produtiva mais madura e integrada com o grupo De Beers.
A estrutura produtiva angolana continua altamente concentrada em grandes operações industriais, com destaque para a Sociedade Mineira de Catoca e a mina de Luele, que representam a maior parte da produção nacional.
As autoridades do sector, através da Endiama, têm vindo a projectar um aumento gradual da produção até cerca de 17 milhões de quilates nos próximos anos, suportado pela expansão de projectos existentes, reforço da exploração geológica e entrada de novos parceiros internacionais.
Entre esses movimentos recentes destaca-se também a intensificação da presença de empresas internacionais no sector, incluindo a De Beers, que anunciou novos trabalhos de prospecção e descoberta de kimberlitos em Angola, reforçando o interesse estratégico no potencial geológico do país.
Apesar da trajectória de crescimento, a liderança global do sector diamantífero permanece estável, com Botswana a manter a posição dominante em termos de valor, enquanto Angola consolida a sua relevância sobretudo em volume de produção.
Neste enquadramento, mais do que uma mudança imediata na hierarquia global, o sector diamantífero africano vive uma fase de reconfiguração gradual, onde Angola emerge como um actor em consolidação, dentro de um ecossistema ainda fortemente estruturado em torno de poucos grandes produtores.

