O Banco Millennium Atlântico (ATLÂNTICO) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um activo estimado em 2,49 biliões de Kwanzas, registando um crescimento homólogo próximo dos 22%, segundo cálculos da revista Economia & Mercado (E&M), com base nos balancetes trimestrais divulgados pelas instituições financeiras.
O desempenho permitiu ao ATLÂNTICO ultrapassar o Banco BIC e assumir a terceira posição entre os maiores bancos angolanos em volume de activos, uma alteração relevante na composição do topo do Sistema Bancário Angolano (SBA).
O BIC, que ocupava essa posição no final de 2025, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um activo de aproximadamente 2,41 biliões de Kwanzas, representando um crescimento homólogo de cerca de 4%.
A diferença entre as duas instituições ainda é reduzida, mas reflecte trajectórias distintas de crescimento num sector onde a dimensão do balanço continua a ser um dos principais indicadores de competitividade.
BAI e BFA mantêm liderança do sector
No topo da banca angolana permanecem o Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Banco de Fomento Angola (BFA), com uma vantagem significativa sobre os restantes concorrentes.
Segundo o comunicado de resultados enviado pelo BAI à Comissão do Mercado de Capitais (CMC), a instituição terminou Março de 2026 com um activo líquido de 5,19 biliões de Kwanzas, mantendo a liderança do sistema.
O BFA registou, no mesmo período, activos avaliados em 4,37 biliões de Kwanzas, permanecendo na segunda posição.
Com base nos dados disponíveis, a composição dos quatro maiores bancos angolanos por activo no primeiro trimestre de 2026 ficou assim distribuída:
- BAI — 5,19 biliões Kz
- BFA — 4,37 biliões Kz
- ATLÂNTICO — 2,49 biliões Kz
- BIC — 2,41 biliões Kz
Importa destacar que os dados apresentam diferenças metodológicas. Os valores referentes ao BAI e ao BFA resultam de comunicações oficiais de resultados, enquanto os números relativos ao ATLÂNTICO e ao BIC foram calculados pela Economia & Mercado a partir dos balancetes trimestrais divulgados pelas próprias instituições.
A posição do ATLÂNTICO representa, assim, uma leitura baseada em informação financeira trimestral disponível e não corresponde a um ranking oficial consolidado divulgado pelo Banco Nacional de Angola (BNA).
Estratégias diferentes para crescer
A alteração entre ATLÂNTICO e BIC evidencia também diferentes modelos de gestão de activos dentro da banca angolana.
O BIC mantém uma maior exposição ao financiamento da economia. A sua carteira de crédito situou-se em cerca de 692,99 mil milhões de Kwanzas, representando aproximadamente 28,6% do activo total. O banco registou igualmente um rácio de transformação de depósitos em crédito próximo dos 45%, enquanto os títulos da dívida pública representavam cerca de 26,8% do activo.
Já o ATLÂNTICO apresenta uma estrutura de balanço com maior peso dos títulos e valores mobiliários, sobretudo associados à dívida pública, que representam cerca de 42% do activo. A carteira de crédito corresponde a aproximadamente 23% do activo, com um rácio de transformação de depósitos em crédito na ordem dos 27%.
Esta composição permitiu ao ATLÂNTICO acelerar o crescimento do seu activo num período em que o sector bancário continua fortemente influenciado pelo peso dos instrumentos financeiros soberanos.
Uma nova fotografia da banca angolana
A subida do ATLÂNTICO ao terceiro lugar por activo representa uma das principais alterações recentes no posicionamento relativo dos maiores bancos do país.
Apesar de BAI e BFA manterem uma liderança confortável em dimensão de balanço, a aproximação entre ATLÂNTICO e BIC demonstra que a competição no sector continua dinâmica e que diferentes estratégias de alocação de activos podem alterar a hierarquia num curto espaço de tempo.
Mais do que uma simples troca de posições, os dados do primeiro trimestre de 2026 revelam duas abordagens distintas ao crescimento bancário: uma com maior foco no financiamento da actividade económica e outra com maior exposição a activos financeiros e instrumentos da dívida soberana.
Nota metodológica
Os dados relativos ao ATLÂNTICO e ao BIC resultam de cálculos da revista Economia & Mercado com base nos balancetes trimestrais divulgados pelas instituições. Não correspondem a um ranking oficial consolidado do Banco Nacional de Angola (BNA).
Os dados apresentados pelo BAI referentes a Março de 2026 não se encontravam auditados no momento da divulgação e poderão estar sujeitos a ajustamentos posteriores.
Fontes
BAI — Comunicado ao Mercado sobre os resultados do I.º Trimestre de 2026.
Economia & Mercado — “Banco ATLÂNTICO ultrapassa BIC em activo”, Fernando Baxi, Julho de 2026.

