A TotalEnergies registou um lucro líquido de 5,4 mil milhões de dólares no segundo trimestre de 2026, um aumento de cerca de 100% face aos 2,7 mil milhões de dólares alcançados no mesmo período do ano passado. Os dados constam do comunicado oficial de resultados divulgado esta quinta-feira, 23 de Julho, pela petrolífera francesa, após aprovação do Conselho de Administração.
O indicador acompanhado pela empresa, o lucro líquido ajustado, atingiu seis mil milhões de dólares no trimestre, uma subida de 12% face ao período anterior. Segundo Patrick Pouyanné, presidente e director-executivo da TotalEnergies, citado no comunicado, o desempenho reflecte a capacidade do modelo integrado e diversificado da companhia para capturar oportunidades num contexto marcado pela evolução dos preços dos hidrocarbonetos e pelas tensões geopolíticas internacionais.
No primeiro semestre de 2026, o lucro líquido do grupo atingiu 11,2 mil milhões de dólares, representando um crescimento de 72% face ao período homólogo, enquanto o lucro líquido ajustado aumentou 47%, para 11,4 mil milhões de dólares.
A empresa aprovou ainda a distribuição de um segundo dividendo provisório de 0,90 euros por acção referente ao exercício de 2026, uma subida de 5,9% face ao ano anterior, e autorizou a continuidade do programa de recompra de acções até 1,5 mil milhões de dólares no terceiro trimestre. O rácio de endividamento líquido (gearing) recuou para 13,1%, beneficiando de uma redução da dívida líquida em 3,3 mil milhões de dólares.
Angola entre os motores do crescimento da produção
A produção de hidrocarbonetos da TotalEnergies atingiu 2,395 milhões de barris equivalentes de petróleo por dia no segundo trimestre, reflectindo um crescimento orgânico superior a 4% em termos homólogos.
Segundo o comunicado oficial, a expansão beneficiou do arranque e desenvolvimento de vários projectos internacionais, incluindo Mero 4 e Lapa SW no Brasil, Ballymore nos Estados Unidos, Mabruk na Líbia e, em Angola, os projectos Begonia e CLOV Fase 3, este último associado à terceira fase de desenvolvimento do Bloco 17.
Embora o comunicado financeiro divulgado esta quinta-feira faça referência directa apenas a estes projectos angolanos como contributos para o crescimento da produção, Angola continua a representar uma posição estratégica no portefólio africano da petrolífera francesa.
Fora deste relatório trimestral, a TotalEnergies tem comunicado separadamente o avanço de outros investimentos no país, incluindo o projecto Kaminho, no Bloco 20/11, um desenvolvimento offshore em águas profundas avaliado em cerca de seis mil milhões de dólares, liderado pela empresa francesa com 40% de participação, em parceria com a Petronas e a Sonangol.
A companhia anunciou igualmente a extensão do contrato de operação do Bloco 32 até 2043, o primeiro gás do campo de Quiluma, integrado no Novo Consórcio de Gás, e o desenvolvimento do projecto solar de Quilemba, no Lubango.
A relevância de Angola na estratégia da TotalEnergies deverá voltar a estar em destaque em Setembro, quando Patrick Pouyanné participar na conferência Angola Oil & Gas 2026, em Luanda.
Estratégia de longo prazo em Angola
A manutenção dos investimentos da TotalEnergies ocorre num momento em que Angola procura travar o declínio natural da produção petrolífera através do desenvolvimento de novos campos e da extensão da vida útil de activos existentes.
Para a petrolífera francesa, o país continua a combinar reservas relevantes, activos offshore de grande dimensão e oportunidades associadas ao gás natural e às energias renováveis, consolidando Angola como uma das geografias estratégicas da sua operação africana.
Fonte primária:
Comunicado oficial de resultados do segundo trimestre e primeiro semestre de 2026 da TotalEnergies SE, divulgado em Paris a 23 de Julho de 2026.
Nota editorial:
As referências aos projectos Kaminho, Bloco 32, Quiluma e Quilemba correspondem a anúncios institucionais anteriores da TotalEnergies e não fazem parte do comunicado financeiro divulgado em 23 de Julho de 2026.

