A ACREP – Exploração Petrolífera encerrou 2025 com um prejuízo de US$ 3,9 milhões, num ano marcado por uma forte redução da produção petrolífera e por uma queda de cerca de 80% nas receitas, segundo dados do Relatório e Contas de 2025 da empresa, citados pelo Mercado e pelo Expansão.
A produção da petrolífera angolana caiu 47%, passando de 219.456 barris em 2024 para 115.500 barris em 2025, uma redução de 103.956 barris. A diminuição dos volumes produzidos teve impacto directo sobre as vendas, que recuaram de US$ 15,1 milhões para aproximadamente US$ 3 milhões no mesmo período.
A quebra da facturação reflectiu-se também no desempenho operacional. A ACREP apresentou um resultado operacional negativo de US$ 5,2 milhões, apesar dos esforços de redução dos custos operacionais. Os outros proveitos operacionais também diminuíram cerca de 76%, de US$ 145 mil para US$ 35 mil.
O resultado negativo de 2025 representa, segundo o Expansão, o segundo ano consecutivo de prejuízos da petrolífera. O desempenho ocorre depois da tentativa de abertura do capital da empresa em bolsa, em Março de 2024, através de uma Oferta Pública de Subscrição que não registou procura.
Apesar da deterioração dos resultados, a ACREP aumentou significativamente os recursos destinados às actividades de pesquisa e desenvolvimento. O investimento nesta área cresceu 290%, para US$ 19,8 milhões em 2025, sinalizando a manutenção da aposta da empresa na expansão das operações petrolíferas.
A estratégia ganha particular relevância perante a quebra dos volumes produzidos. A empresa prevê intensificar em 2026 as actividades de exploração e reabilitação nos blocos de Cabinda Norte e Cabinda Sul, procurando aumentar as reservas e recuperar os níveis de produção.
A ACREP é uma petrolífera angolana com activos ligados à exploração e produção de hidrocarbonetos. A Comissão do Mercado de Capitais mantém a empresa registada e identifica o seu website corporativo como acrepsa.ao.
O desempenho de 2025 coloca a empresa perante um desafio duplo: recuperar a produção e, simultaneamente, transformar o aumento do investimento em pesquisa e desenvolvimento em novos volumes e melhores resultados financeiros.
Para uma petrolífera independente, a queda de 47% na produção representa uma pressão significativa sobre a capacidade de geração de receitas. A evolução dos projectos de exploração e reabilitação previstos para 2026 será, por isso, determinante para perceber se a ACREP conseguirá inverter a trajectória registada no último exercício.
A questão central para a empresa deixa de ser apenas a dimensão do prejuízo de 2025 e passa pela capacidade de converter os US$ 19,8 milhões aplicados em pesquisa e desenvolvimento em novas reservas, produção sustentável e recuperação financeira.

