A aposta de Angola no petróleo em terra ganhou um novo impulso. A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e o Grupo Empreiteiro liderado pela Afentra assinaram o Contrato de Serviços com Risco (CSR) para a Área de Concessão do Bloco KON4, localizado na Bacia Terrestre do Kwanza, entre as províncias de Luanda e Icolo e Bengo.
O acordo formaliza o início de uma nova fase para um dos activos considerados mais promissores da estratégia nacional de revitalização do onshore angolano. A Afentra assume a operação do bloco com 35% de participação, acompanhada pelo Grupo Simples Oil (35%), Sonangol Exploração & Produção (20%), Brite’s Oil & Gas (5%) e Sodedurs (5%).
Mais do que uma simples assinatura contratual, o CSR representa um passo concreto na tentativa de diversificar o mapa petrolífero nacional. Durante décadas, o crescimento da indústria esteve concentrado quase exclusivamente no offshore. Agora, Angola procura reactivar as suas bacias terrestres através de um novo ciclo de investimento e exploração.
O Bloco KON4 reúne um conjunto de activos que reduzem parte do risco normalmente associado a projectos exploratórios. A concessão combina descobertas já existentes, oportunidades de redesenvolvimento de campos e novas perspectivas de exploração, beneficiando ainda da proximidade de infraestruturas petrolíferas instaladas, factor que poderá reduzir custos de desenvolvimento e acelerar a entrada em produção.
Durante a cerimónia de assinatura, o Presidente do Conselho de Administração da ANPG, Paulino Jerónimo, destacou que o objectivo passa por ver a actividade onshore atingir um dinamismo semelhante ao alcançado pelo offshore angolano. O responsável garantiu igualmente que a agência continuará empenhada em resolver com rapidez os desafios que possam surgir durante a execução do projecto, criando condições para acelerar tanto o redesenvolvimento das descobertas existentes como as futuras campanhas exploratórias.
Do lado da operadora, o Director de Operações da Afentra, Ian Cloke, descreveu o bloco como uma oportunidade de elevado potencial técnico e económico. Segundo o responsável, a área beneficia de um sistema petrolífero em evolução, com reservatórios do pré-sal e do pós-sal do Cretáceo, além de formações do Terciário. A proximidade dos recursos às infraestruturas existentes poderá permitir um desenvolvimento mais rápido e uma comercialização do petróleo num horizonte temporal relativamente curto.
A assinatura acontece poucas semanas depois de a Afentra ter recebido autorização oficial para operar o KON4. Na ocasião, o CEO da empresa, Paul McDade, classificou a adjudicação como um marco estratégico para a companhia, permitindo-lhe reforçar a presença na Bacia Terrestre do Kwanza, onde já detém participações nos Blocos KON15 e KON19.
A leitura por trás do acordo
O verdadeiro significado deste contrato vai além do Bloco KON4.
Nos últimos anos, Angola concentrou grande parte das suas reformas no upstream em medidas destinadas a prolongar a vida útil dos campos offshore e a atrair investimento para activos maduros. Paralelamente, começou também a criar condições para transformar as bacias terrestres numa nova frente de crescimento da indústria petrolífera.
É precisamente nesse contexto que surge o avanço da Afentra.
Ao reunir descobertas existentes, potencial exploratório e infraestruturas próximas, o KON4 oferece um perfil de risco inferior ao de muitos projectos exploratórios convencionais. Para investidores internacionais, isso significa menores necessidades de capital inicial, desenvolvimento potencialmente mais rápido e melhores perspectivas de retorno.
Se esta estratégia produzir resultados, o impacto poderá ultrapassar largamente este bloco específico. O sucesso do KON4 poderá funcionar como um teste à capacidade de Angola voltar a colocar o onshore no radar das grandes petrolíferas internacionais, complementando décadas de liderança do offshore na produção nacional.

