A Dangote Group assinou um acordo de equipamentos avaliado em 400 milhões de dólares com a chinesa XCMG, fabricante de maquinaria pesada de construção, para acelerar a expansão da refinaria de Lekki, em Lagos. O pacote inclui gruas, escavadoras, carregadoras, sistemas de betão e equipamento especializado para mineração a céu aberto, cimento e processamento agrícola, parte de uma frota mais ampla de máquinas “verdes e inteligentes” que a XCMG vai disponibilizar para reduzir emissões e melhorar a eficiência energética nas operações do grupo. A Reuters confirmou que o acordo foi assinado na terça-feira e que o equipamento adicional deverá apoiar projetos de grande escala em curso nas áreas de refinação, petroquímica, agricultura e infraestrutura.
O alvo é conhecido: duplicar a capacidade da refinaria para 1,4 milhões de barris por dia dentro de três anos, triplicar a produção de ureia e expandir a produção de polipropileno e de alquilbenzeno linear, no quadro da ambição da Dangote de se tornar uma empresa de 100 mil milhões de dólares até 2030. Caso se concretize, a expansão posicionaria a unidade de Lekki como a maior refinaria do mundo.
Em termos numéricos, o salto é expressivo. A capacidade de polipropileno deverá subir de cerca de 900 mil para 2,4 milhões de toneladas anuais. A produção de ureia na Nigéria triplicará de 3 para 9 milhões de toneladas por ano, somando-se à fábrica já existente na Etiópia, com 3 milhões de toneladas. A produção de alquilbenzeno linear chegará às 400 mil toneladas anuais, tornando a Dangote a maior fornecedora africana deste insumo para detergentes.
A leitura por trás do anúncio
O acordo com a XCMG não é, isoladamente, a notícia mais relevante sobre a Dangote Refinery este ano — mas é a peça que explica o calendário de tudo o resto. A refinaria prepara aquela que poderá ser a maior operação de mercado de capitais da história africana, com um objetivo de angariar cerca de 4 mil milhões de dólares numa avaliação de 40 mil milhões e estimativas mais recentes da Bloomberg a apontar para um intervalo de avaliação entre 40 e 50 mil milhões de dólares, citando um executivo sénior do grupo em maio de 2026.
A sequência importa. Um aumento de capacidade física e operacional — sustentado, neste caso, por compromissos de equipamento de fornecedores como a XCMG — é precisamente o tipo de sinal que reforça a tese de avaliação junto de investidores institucionais antes de uma IPO. Aliko Dangote já confirmou que o grupo está a visar uma oferta pública inicial do negócio de refinação em setembro, depois de a unidade ter atingido a capacidade nominal de 650 mil barris por dia em fevereiro. O próprio fundador revelou que os pedidos de colocação privada já ultrapassaram os 2 mil milhões de dólares, montante que o grupo não pretende satisfazer na totalidade.
Para Pequim, o interesse é simétrico. A XCMG ganha um cliente âncora de longo prazo num dos maiores projetos industriais privados de África, com cláusulas de cooperação preferencial que abrem porta a contratos futuros em mineração, agricultura e infraestrutura — um padrão que se repete noutros sectores onde fabricantes chineses de equipamento pesado têm vindo a consolidar presença em África Ocidental, frequentemente associados a financiamento facilitado.
Para a Nigéria, o cálculo macroeconómico mantém-se inalterado em relação aos anúncios anteriores da Dangote: menos dependência de importação de combustíveis refinados, alívio sobre as reservas cambiais e reforço da posição da refinaria como fornecedora dominante do mercado interno de combustível premium. O risco também é conhecido — execução. Compromissos de equipamento aceleram prazos, mas não eliminam os riscos habituais de projetos desta escala: financiamento, fornecimento de crude e absorção de capacidade adicional num mercado regional ainda a digerir os primeiros 650 mil barris diários.
Fontes principais: Reuters (via CNBC Africa); comunicado oficial do Dangote Group.

