A Oferta Pública de Venda (OPV) da UNITEL, em curso no mercado de capitais angolano, posiciona-se como a maior operação alguma vez realizada na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), ultrapassando, em valor potencial, a OPV do Banco de Fomento de Angola (BFA), concluída em 2025.
A Comissão do Mercado de Capitais (CMC) aprovou, a 1 de Julho, o registo da operação e do respectivo prospecto, que prevê a alienação de 7.500.000 acções ordinárias, correspondentes a 15% do capital social da UNITEL. A totalidade do capital da empresa passará a estar admitida à negociação em bolsa, num total de 50.000.000 de acções.
Segundo o regulador, o registo da operação baseia-se em critérios de legalidade previstos no Código dos Valores Mobiliários, não constituindo garantia sobre o mérito económico ou financeiro da oferta.
A subscrição pública decorre entre 6 e 24 de Julho, estando a fixação do preço final prevista para 27 de Julho, em sessão especial de bolsa, com admissão à negociação da totalidade das acções a 29 de Julho.
A operação está estruturada em duas tranches: um milhão de acções, equivalentes a 2% do capital, reservadas aos trabalhadores da UNITEL SPM e da Unicanda, e 6,5 milhões de acções, correspondentes a 13%, destinadas ao público em geral. O intervalo de preço situa-se entre 36.036 e 40.040 kwanzas por acção.
Com base nesse intervalo, o valor bruto da operação poderá situar-se entre 270,27 mil milhões e 300,3 mil milhões de kwanzas, dependendo do preço final e da procura registada.
O IGAPE, entidade responsável pela alienação em nome do Estado, estima uma receita na ordem dos 280 milhões de euros com a operação.
Comparação com a OPV do BFA
A OPV do BFA, realizada em Setembro de 2025, continua a ser a maior operação já concluída na história da BODIVA em termos de capital efectivamente angariado, com 29,75% do banco colocado em mercado e um encaixe total de 220,8 mil milhões de kwanzas, resultado de um preço final fixado em 49.500 kwanzas por acção.
No entanto, o intervalo de valorização da OPV da UNITEL coloca a operação, mesmo no cenário mais conservador de preço, acima do montante total arrecadado pelo BFA, o que sustenta a expectativa de que venha a tornar-se a maior operação de sempre da bolsa angolana, dependendo da fixação final do preço a 27 de Julho.
Estrutura e intermediação
A operação conta com um modelo de rateio “Capped Waterfall”, concebido para promover maior dispersão das acções e acesso mais equitativo entre investidores, através de rondas sucessivas de alocação com base em níveis de subscrição.
A assistência à operação envolve instituições como a BFA Capital Markets e a Áurea como agentes principais, o Banco Caixa Geral Angola, bem como entidades colocadoras como a Distribuidora Valor, Eaglestone, Hemera Capital Partners e Standard Invest.
O mercado e a base da UNITEL
A UNITEL encerrou 2025 com lucros de 158,4 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 59% face ao exercício anterior, impulsionado por ganhos extraordinários associados à alienação de participação no BFA e distribuição de dividendos.
Em termos operacionais, o lucro da actividade de telecomunicações cresceu 288%, atingindo 66 mil milhões de kwanzas, com receitas operacionais a aumentarem 31%, para 505,3 mil milhões de kwanzas.
A empresa conta actualmente com cerca de 20,8 milhões de clientes e detém uma quota de mercado de aproximadamente 76% na telefonia móvel em Angola.
Antes da sua reestruturação accionista, a UNITEL era detida em partes iguais pela Sonangol e por accionistas privados, incluindo participações detidas pela Vidatel e pela Geni, estrutura que foi posteriormente consolidada sob controlo estatal.
Fonte primária: Comissão do Mercado de Capitais (CMC)

