A Anda, plataforma angolana de mobilidade e serviços financeiros, foi reconhecida como a sétima maior empresa de mobilidade do continente africano, segundo o ranking inaugural Top 50 African Mobility Companies, elaborado pela MobilityX Africa em parceria com a Africa E-mobility Alliance (AfEMA). A distinção coloca a empresa angolana entre as dez primeiras posições de um universo superior a 250 candidaturas avaliadas em treze mercados africanos, tornando Angola o único país lusófono representado nesta primeira edição do ranking.
Segundo a metodologia divulgada pela própria MobilityX Africa, a avaliação recorreu a um painel independente de quinze avaliadores, que pontuaram cada candidatura num quadro de trezentos pontos distribuído por três pilares: solidez de negócio, com cento e vinte pontos, inovação, com noventa pontos, e impacto e sustentabilidade, também com noventa pontos. Foram concluídos 458 registos individuais de avaliação, com declaração prévia de conflitos de interesse por parte de cada avaliador e uma sessão de calibração antes do início da pontuação, um processo que a organização apresenta como o primeiro conjunto de dados sobre operadores de mobilidade africanos construído a partir de avaliação técnica, e não de opinião editorial.
O Quénia lidera o ranking em número de empresas classificadas, seguido pela Nigéria e pela África do Sul, três mercados que concentram o essencial da actividade e do capital de risco dedicado ao sector no continente. Angola figura entre os treze mercados representados no Top 50, ao lado de Ruanda, Gana, Uganda, Egipto, Marrocos, Tanzânia, Zimbabué, Camarões e Benim. Mercados como Etiópia, Senegal, República Democrática do Congo e Moçambique ficaram de fora desta primeira edição, uma ausência que a MobilityX Africa atribui à falta de dados suficientemente robustos para pontuação, e não à falta de actividade nesses territórios.
O modelo de negócio da Anda combina mobilidade urbana com inclusão financeira, através de um programa que permite aos motoristas parceiros tornarem-se proprietários dos veículos que operam, numa lógica de pagamento faseado associada ao uso do activo. Este tipo de modelo, que separa a posse do veículo do seu financiamento imediato, é identificado pela MobilityX Africa como o motor dominante do sector em todo o continente: 40% das empresas do Top 50 operam no que a organização designa por mobilidade integrada, combinando hardware de veículos, infra-estrutura de baterias, gestão de frotas e estruturas de financiamento numa única oferta. Este grupo de empresas concentra 903,75 milhões de dólares em capital captado, o equivalente a 87,2% de todo o financiamento rastreado ao longo do ranking.
O contexto de mercado ajuda a explicar o interesse crescente de investidores no sector. África regista a maior taxa de urbanização do mundo, com um crescimento urbano anual de 3,5%, ao mesmo tempo que mantém uma das taxas de motorização mais baixas do planeta, com apenas 42 veículos por cada mil habitantes, contra uma média global de 190. A MobilityX Africa estima que 3,98 mil milhões de dólares tenham entrado no sector da mobilidade africana desde 2021, dos quais 1,68 mil milhões apenas entre Janeiro de 2025 e Junho de 2026, um ritmo de aceleração que a organização associa directamente à escassez de dados fiáveis e estruturados sobre os operadores do continente, lacuna que este ranking procura colmatar.
A presença da Anda no top 10 continental posiciona a empresa angolana no radar da African Mobility Investment Network, a rede de mais de sessenta alocadores de capital ligados à MobilityX Africa, que passa a ter acesso aos dados da empresa como parte do universo de operadores classificados no Top 50.
Fonte: MobilityX Africa

