A indústria petrolífera angolana acaba de registar mais um marco relevante no domínio do conteúdo local. A Petromar concluiu com sucesso a construção da estrutura protectora do riser do FPSO Kaminho, uma componente estratégica destinada a proteger um dos sistemas mais sensíveis da futura unidade flutuante de produção.
A estrutura, fabricada integralmente nos estaleiros da empresa no município do Ambriz, província do Bengo, mede 80 metros de comprimento e pesa cerca de 300 toneladas. O equipamento tem como principal função proteger o riser — a conduta vertical que transporta petróleo, gás e água entre o fundo do mar e o FPSO — contra impactos, abrasão e outros danos operacionais.
O carregamento da estrutura foi testemunhado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), pela TotalEnergies, operadora do projecto, e pelos parceiros do Bloco 20, Petronas e Sonangol, numa cerimónia realizada a 19 de Junho.
Mais do que um avanço técnico, o feito coloca em evidência a capacidade da indústria nacional para executar projectos de elevada complexidade associados ao sector offshore. Numa altura em que o debate sobre conteúdo local continua centrado sobretudo na contratação de mão-de-obra, o projecto Kaminho demonstra que Angola pode também participar nas etapas de engenharia, fabrico e construção industrial de infra-estruturas críticas para a indústria petrolífera.
Segundo a ANPG, o desenvolvimento do projecto Kaminho deverá gerar, ao longo de cerca de duas décadas de operação, mais de 40 milhões de horas-homem de trabalho realizadas em Angola, criando oportunidades para empresas fornecedoras nacionais e contribuindo para o fortalecimento do tecido industrial do país.
Citado em comunicado, o director de Produção da ANPG, Rui Afonso, considerou que o projecto constitui uma demonstração concreta da aposta no conteúdo local, destacando o seu papel no fortalecimento do ecossistema industrial e no apoio às operações seguras e eficientes na nova bacia petrolífera.
A Petromar, uma joint venture entre a Sonangol E.P. e a italiana Saipem, é especializada na fabricação e instalação de estruturas offshore e submarinas, sendo actualmente uma das principais referências nacionais na construção industrial ligada ao sector energético.
Embora o FPSO Kaminho esteja a ser construído na China, a produção desta estrutura em Angola evidencia que parte do valor acrescentado associado aos grandes investimentos petrolíferos pode ser gerada localmente. A questão que fica é se o país conseguirá transformar estes casos pontuais numa prática recorrente capaz de acelerar a industrialização do sector energético nacional.
Fonte: ANPG.

